A verdadeira educação é uma luz que desperta o alvorecer em corações enjardinados onde os pássaros irão cantarolar livremente…

Aos queridos leitores!

A preocupação principal do Bosque da Sabedoria é com a educação e a cultura na sociedade brasileira, um trabalho que visa a inserção do pensamento filosófico e a arte da escrita no contexto social atual bastante estruturado pelos meios de comunicação digitais, com a intenção de impedir que o conhecimento seja esquecido em locais ermos e pouco visitados das bibliotecas públicas devido a perda gradual de interesse. Com inspiração na paideia antiga (παιδεία), seu objetivo central é revitalizar a tradição e a literatura na cultura atual e tornar a universalidade da experiência humana mais presente e acessível nos meios de comunicação em massa, onde a excessiva publicação de novidades de rápido consumo baseada em estímulos visuais e sonoros de mais fácil assimilação disputam as atenções e afastam as mentes da atividade mais compenetrada e reflexiva da leitura e apreciação das belas artes; posicionando-se, assim, entre os inúmeros atores da produção pública de conteúdos com o diferencial mais desafiador de sustentar o estandarte da cultura do espírito.


O conjunto da sua produção abrangerá ensaios filosóficos que abordam temas de relevância social significativa elaborados através de pesquisa dedicada à sabedoria elevada da humanidade, conciliando o rigor técnico com as necessidades práticas do público que reconhecemos não ser especializado, e escrita literária autoral inspirada nos clássicos da literatura como Machado de Assis, Cecília Meireles, Álvares de Azevedo entre outros. Assim, o Bosque da Sabedoria contará com um arcabouço bem embasado na cultural histórica brasileira tanto filosófica quanto literária. O escopo do trabalho não se deterá, porém, apenas na sua matriz ocidental europeia, seu interesse intelectual está voltado também para conceitos e sabedorias provenientes da cultura oriental – como muito bem fez Huberto Rohden – e das tradições de povos de outras origens. Entendemos que a perspectiva decolonial — propositiva da rejeição radical das categorias herdadas do passado de colonização para iniciar uma nova formação cultural a partir de um suposto ponto zero — além de ser irrealizável, empurrará a nação ainda mais para o abismo do atraso frente ao mundo. Perspectiva que poderia implicar, em busca de uma originariedade e pureza histórica, na hipótese de retorno as florestas para desenvolver um novo alfabeto a partir das línguas originais dos povos indígenas cuja tradição sempre aconteceu, e continua acontecendo, oralmente (e, neste movimento, até que ponto não estaríamos inspirados pelo romantismo da primeira geração?!). Provavelmente, chegaríamos as mesmas categorias de pensamento em prática atualmente. Sem negar as consequências perniciosas da colonização, pode-se afirmar que as tentativas políticas mais radicais de atacar a ciência moderna, a filosofia ocidental e a tradição, mostram-se logo, desde seu breve princípio, malfadadas. Uma questão bastante pertinente no contexto das grandes navegações é entender por que os portugueses não dispensaram aos povos dos arquipélagos nipônicos o mesmo tratamento que dispensaram as sociedades aborígenas da américa. A resposta pode nos revelar um aprendizado de rico significado e profunda relevância para o curso do nosso destino.

Mais adequado, de fato, seria nos apropriarmos da história até então desenvolvida no sentido de dar continuidade ao que pode ser validado criticamente de acordo com nossas peculiaridades históricas e projetos de futuro, conforme a sugestão da perspectiva antropofágica surgida da arte de Tarsila do Amaral. Então, assim, poderíamos partir na direção de um desenvolvimento mais autêntico e original da cultura nacional brasileira (algo para o qual deveria concorrer a contribuição do poder político).

Abaporu

Trasila do Amaral

Longe dos sistemas e abstrações filosóficas que contribuem para gerar uma opinião desfavorável sobre a cultura filosófica, o desenvolvimento do pensamento aqui apresentado será dado através de uma suave aporia voltada para problemáticas de relevância cultural e deixará transparecer, evidentemente, os posicionamentos políticos adotados; mas como consequências da decisão pela melhor resolução das questões levantadas, e não como escolhas de políticas partidárias espúrias. Uma realidade observada atualmente é a atuação das agências políticas profissionais, dissociadas da ética, se infiltrando em todos os setores da experiência social (principalmente nos movimentos sociais) com a intenção de influenciar as opiniões e dirigir o processo democrático para propósitos diferentes do verdadeiro interesse do povo: trata-se de uma inversão ocultada da relação de representatividade, entendida como um poder que deveria verter do povo para os quadros da ação política institucionalizada, não o contrário. No mundo antigo, algo parecido acontecia na relação conflitante entre a retórica, acusada de esvaziamento ético, e a Socrática que se detém de sua agência política para colocar em primeira ordem de necessidade a formação da virtude no espírito cultural do povo. O Bosque da Sabedoria perfila este último “partido”. A pedra mais fundamental da sua construção pende mais fortemente para os conceitos filosóficos da Grécia antiga em suas concepções tradicionais e apropriações filosóficas; mais pontualmente: para a filosofia metafísica de Platão e seus posteriores desenvolvimentos na história da filosofia clássica. Evidentemente, sua posição será contrária às correntes filosóficas que visam desconstruir sua força na cultura do pensamento humano atual.


Construir uma escola filosófica ainda é uma ambição bastante distante do momento atual do trabalho. Não há como um ideal ser completamente delimitado deste o início. É algo que vai se construindo pelas partes orientado, sempre, por uma visão de fundo total. Sua pretensão central, por hora, é apresentar a razão e a vida interior do espírito fulgurando em um ambiente urbano cada vez mais técnico e artificialmente apartado da naturalidade mais abrangente do cosmos. Não surpreende que o pensamento filosófico, mesmo em detrimento de sua indispensabilidade para a vida, tenha ficado enclausurado nos muros acadêmicos e restrito aos discursos especializados que almejam a formação de carreira profissional. O objetivo pedagógico buscado por este trabalho é fornecer ao leitor subsídios para o entendimento profundo da realidade e a tomada de decisões pertinentes às questões e problemas práticos da vida por meio de argumentações e fundamentações filosóficas que possam servir como modelo e embasamento, como um ponto de vista à sua disposição. O pensamento aqui expresso será um pensamento aplicado na busca de realizar a ponte dialética entre a essência universal e a vida concreta a partir de problematizações historicamente pertinentes.


Por último, o Bosque da Sabedoria também possui pretensões econômicas, se insere no jogo da publicidade e concorrência de mercado valendo-se minimamente de marketing e estéticas agradáveis. Como deixar de ser deste modo já que ornamentar a linguagem com estilos e formas belas pode tornar a leitura mais fluida e apetitosa facilitando, assim, a reflexão?! Também não podemos negar nossas pretensões políticas de se tornar uma peça atuante no debate público de ideias e alcançar popularidade de modo adequado. Sempre, como todo bom trabalho filosófico, preservando o compromisso com a verdade e a clareza – sem meia verdades – do que é escrito.


Desejamos, acima de tudo, que os leitores tirem bom proveito da leitura do nosso conteúdo, e ajudem no engajamento interagindo com as postagens e compartilhando com as pessoas para quem acreditem representar algum significado relevante, nos ajudando, assim, a conquistar mais leitores.”


Boa leitura!